domingo, 3 de maio de 2015

As avaliações baseadas na curva normal são as melhores pro aprendizado?

Hoje teremos a discussão se as avaliações educacionais que passamos ao longo da nossa vida acadêmica que são baseadas na curva norma são realmente as melhores pro nosso aprendizado. Teremos como base o texto que nos apresenta a avaliação baseada na curva de distribuição normal e na utilização de uma avaliação diferenciada, individualizada na Faculdade de Odontologia de Piracicaba.
A curva de distribuição normal é uma curva que nos mostra que a maioria tem tendência a se localizar na média, e minorias se localizam nas extremidades. Isso, na questão de ensinos e avaliações seriam ditas como: a maioria das pessoas ficam com notas medianas, e dois grupo se espalham nas extremidades, ou seja, uma minoria fica com notas baixas e a outra com notas altas.
A verdade é que a maioria das avaliações que passamos no decorrer de nossa vida é baseada nessa curva, sejam na escola, ou pro ingresso em universidades e instituições públicas. Assim, muitos das pessoas que formulam avaliações buscam essa curva normal nos resultados, onde a distribuição dos alunos seja assim feita. 
É completamente aceitável, na minha opinião, ter essa distribuição normal como foco das avaliações classificatórias/eliminatórias, pois é esse o objetivo das mesmas, é classificar as pessoas, para que os que tiveram melhor desempenho sejam beneficiados, mas claro que os conteúdos previstos para a provas devem ser coerentes com o que foi previsto. A diferença deve vir nas avaliações escolares e universitárias, pois essa distribuição não deveria ser um objetivo das avaliações, pois o foco alí é o aprendizado. Para o aprendizado na verdade os avaliadores deveriam querer que todos os alunos os quais eles ensinaram tivessem notas altas na avaliação. Isso seria mais facilmente alcançado se houvesse uma individualização dos alunos, e além disso o conteúdo deve ser passado de forma entendível, com auxílio para aqueles que tem dificuldade de acompanhar o tempo do professor, a prova deveria ser compatível com o que foi passado em sala, longe daquelas definições de prova difícil ou fácil, mas sim sempre ter uma prova coerente com o que foi passado em sala. Isso seria algo que, ao meu ver, seria viável atualmente, para melhorar esse foco no aprendizado.
No texto que fala da curva normal, é dito que o tempo do aluno deve ser respeitado, onde a avaliação deveria acontecer quando o aluno se sentisse preparado. Eu entendo essa afirmação, mas acho a aplicação da mesma muito complicada, pois temos pessoas que, quando a decisão de avaliação chegasse a suas mãos procrastinariam a mesma o máximo de tempo possível. Além disso, é bastante complicado conseguirmos isso porque não temos a estrutura e o conhecimento para essa adaptação ao tempo de cada um como um todo. Temos exemplos em que nos temos essa adaptação ao tempo de aprendizado dos alunos, o exemplo é das escolas públicas do DF, onde alunos com laudos médicos conseguem ter um acompanhamento individual, onde as professoras se esforçam para se adaptar ao tempo do aluno. Mas esse exemplo é numa escala pequena, de apenas alunos laudados, onde a execução dessa individualização pra todos alunos, ao meu ver, atualmente é inviável. É ideal, mas não é possível.

O segundo texto que esta sendo usado como base nos mostra uma turma em que há a individualização dos alunos, em que não há esse foco na distribuição normal para os resultados da avaliação. É visto nesse exemplo que o aprendizado através dessa individualização é beneficiado, pois lá o foco é que todos aprendam o conteúdo previsto, onde cada um foi avaliado no seu tempo, colocando a prova que realmente a individualização é melhor para o aprendizado. Eu concordo com isso, só não acho que temos, atualmente, a estrutura para mudar todo um sistema educacional que as pessoas já estão acostumadas por um novo, do dia pra noite. Temos alguns casos em que essa individualização é possível, como no exemplo que eu dei de alunos com laudos médicos, mas como é numa escala pequena é viável. 
Então, através dessas leituras, me abriu os olhos para o foco na aprendizagem, se as escolas e universidades estão realmente focando nisso, que é o mais importante. Além disso, no meu ponto de vista, a maior dificuldade dessa individualização requerida no primeiro texto e exemplificada com um caso real no segundo texto, seria se adaptar ao tempo do aluno, onde o mesmo poderia escolher quando ser avaliado. Eu acho que ter uma data prefixada pras avaliações, onde o aluno sabe quando será avaliado e deve sentir a necessidade de aprender o conteúdo até antes daquela data, pode ajudar no aprendizado. A adaptação ao tempo próprio de cada um da forma que é descrita no texto dois seria ideal, mas como na nossa realidade a dificuldade em respeitar isso é muito difícil, essa prefixação da avaliação tem sucesso, mas apenas se o aluno tiver meios de sanar dúvidas e apoio no aprendizado, pois sabemos que todos tem seu tempo de aprendizado, e isso seria um meio de ajudar quem tem um tempo mais lento.
Assim, para melhorar o aprendizado dos alunos é importante sair dessa necessidade de distribuir os resultados das pessoas numa distribuição normal, querendo assim que todos aprendam os conteúdos de forma completa, pensando nas pessoas com individualidade, sabendo que cada um tem um ritmo de aprendizado diferente, onde devemos dar meios para as pessoas terem oportunidades mais justas de aprendizado, adaptando esses meios a viabilidade, pois não adianta criarmos meios perfeitos de aprendizado se a aplicação a nossa realidade é muito complicada.

Referência:
Dib, C.Z. (2002) Afinal, o que você efetivamente mede quando sua avaliação é referenciada pela distribuição normal? Boletim informativo do instituto de Física da USP. http://www.if.usp.br/bifusp/bifold/bif0218.htm
Moraes, A. B. A. ; Vieira, R. C. ; Valvano, M. . (1981) Aplicação de um curso programado e individualizado na Faculdade de Odontologia de Piracicaba. Revista da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas, 35, 498-508.

domingo, 26 de abril de 2015

A ascensão do determinismo neurogenético.


O texto a ser comentado hoje é "A perturbadora ascensão do determinismo neurogenético", escrito por Steven Rose. 
No texto ele nos mostra o quanto os avanços na neurociência se dão com extrema rapidez, onde os neurocientistas se desdobram para dar sentido e explicação a essas descobertas rápidas nessa época da história que esta sendo conhecida como "Década do Cérebro". Nessa era, estamos tendo descobertas marcantes. Esta imergindo aqui a neurogenética, que busca identificar os genes que afetam o cérebro e o comportamento das pessoas, dando uma causa, e se precisar que os modifiquem, assim conseguir. Isso se dá porque a neurogenética se diz capaz de explicar as situações do cotidiano e modificá-los se for necessário. 
Foi dito no texto que o que somos e sentimos pode ser dado por causas externas, onde as ciências sociais explicam, ou internos, que devemos buscar explicações na neurogenética, ou seja, na biologia para encontrar soluções para aquilo que nos incomoda. 
A verdade é que, para que a explicação dos fenômenos humanos seja plausível, ela deve levar em conta essas duas dimensões objetivas, externas e internas, e ainda a subjetividade que envolve as pessoas. Isso ao meu ver é o mais certo, pois nada é explicado apenas objetivamente, mas também não é apenas subjetivo, a verdade é que varia, em alguns talvez a causa seja objetiva, em outros a causa da ação tenha sido pela sua subjetividade. Assim, penso um pouco diferente do que os deterministas neurogenéticos pensam, onde eles dizem que até pode haver a subjetividade, mas que em ultimas instâncias a causa é biológica. Ao meu ver isso varia de pessoa pra pessoa, a causa é variável.
Esses deterministas neurogenéticos ditam uma relação de causalidade entre o gene e o comportamento das pessoas. Exemplo: o homem é homossexual porque possui um gene pra isso, a pessoa é depressiva porque possui um gene para isso, a pessoa é violenta porque possui um gene de violência, entre outras predisposições genéticas. 
Muito se busca saber sobre o porque das pessoas serem violentas, procura da causalidade essa que acho correto procurarmos, porque muito do que acontece no mundo me parece inexplicável, e se alguém conseguisse me dizer o porque daquilo seria esclarecedor, e seria importante também para saber prevenir que aquilo repetisse. Houve um pesquisador que disse que a violência estava ligada ao gene, mas, focalizou o estudo na classe trabalhadora pegando apenas alguns crimes relacionados a violência. Eu concordo totalmente com o autor do texto no momento em que ele cita que o cientista que fez esse estudo o fez de forma precária, pois o mesmo só focou numa classe, com poucos tipos de violência, pois, como foi dito no texto, muitos casos de violência não são assim denominados e se o fossem teriam alterado completamente o resultado. 
A verdade é que, explicar o porque da violência é muito complicado, reduzi-la a uma causa ou algumas causas me parece complicado demais, pois muito é dito sobre a criação da pessoa, mas vemos muitas pessoas que usam suas dificuldades como motivação, entre outras coisas, é um tema que com certeza gera dúvida, e por isso, quando alguém tenta reduzi-la a uma causa, acaba sofrendo represálias pelas dúvidas que essas causalidades geram nas pessoas. No próprio texto, o autor diz que é complicado resumir a agressividade a algo no cérebro como causa, isso pode ter influenciado a sua atitude agressiva, mas não necessariamente é a causa, definir a causa é muito complexo, eu não consigo ver ninguém definindo a causa da agressividade e violência das pessoas com certeza, me parece algo quase que impossível, por poder surgir de inúmeros fatores.
No texto é dito que não existem genes para os olhos verdes, castanhos, quem dirá para características tão subjetivas, e é uma questão de lógica isso. Se algo que é apenas expressão do nosso dna e, normalmente, não muda no decorrer da nossa vida não pode ser explicado apenas por um gene, porque algo que é afetado por várias outras coisas seria. A neurociência nos é muito importante, através dela vemos a predisposição a algumas doenças, vemos o que cada área pode alterar na nossa vida, mas as interpretações de suas descobertas devem ser olhadas mais de perto, e questionadas com mais firmeza, pois muitas pessoas tomam como verdade o que esses especialistas dizem, sem nem questionar, sendo que as vezes, essas interpretações foram equivocadas. Ao se interpretar as descobertas da neurociência, deve-se sempre explicitar a importância da subjetividade da vida das pessoas também, pois isso influência nas expressões de vida das pessoas, ai sim será possível chegar mais perto das explicações do porque as pessoas são como são, ou do porque possuem tal doença. 

Rose S. A. (1997) perturbadora ascensão do determinismo neurogenético. Ciência Hoje, 21, 18-27. 

terça-feira, 14 de abril de 2015

Sobre ser são em lugares insanos.

O texto a ser comentado hoje é um texto que se baseou em uma pesquisa de Rosenhan, onde ele investigou a capacidade dos psiquiatras em identificar a diferença entre pessoas "sãs" e as "insanas", no ano de 1972. Nessa pesquisa, ele fez com que 8 pessoas "sãs", ele incluso, fossem a diferentes hospitais psiquiátricos alegando estarem ouvindo uma voz dizendo "tum", mas todo o resto dito seria verdade. Ele utilizou essa palavra porque, segundo o que foi dito no texto, não havia registros de alucinação auditiva com essa palavra. Além disso, os ensinou conseguir fingir tomarem os remédios, caso fosse necessário.
Os registros da pesquisa não são muito completos, mas foi visto que, mesmo mostrando apenas um sinal de alucinação, Rosenhan e os outros 7 foram internados, um como psicótico maniaco e os outros com esquizofrenia. Assim que receberam o diagnostico e foram internados, eles já alegaram não ouvir mais a voz e relataram as situações reais e "normais" de suas vidas. Mas mesmo assim eles ficaram bastante tempo internados, na média 17 dias, onde o que ficou menos tempo ficou 7 dias e o maior tempo de internação foi de 52 dias.
Os relatos do que acontecia nos locais de internação chocaram a sociedade naquela época, pois foi demonstrado um descaso com os pacientes mentais naquele local o qual deveria cuidar deles. Rosenhan diz que sentia que os pacientes eram tratados como indignos de importância, invisíveis, onde os enfermeiros não os notavam, não se importavam se estavam ou não tomando remédio desde que se comportassem, e aqueles que os incomodavam poderiam ser espancados, sem motivos aparentes.
Nas terapias que eles tiveram de fazer nas internações, eles contaram suas histórias reais, e apesar disso, suas histórias foram meio que adaptadas para o diagnostico previamente dado a eles. Isso é dito por ele, porque, se alguém denominado normal as contasse seria completamente comum, mas como era um louco, aquilo era história de vida de louco, que contribuiu pra sua loucura.
O interessante pra mim, foi quando ele disse que os ditos insanos, os de verdade e não os que fingiram ser para a pesquisa, perceberam que ele não era insano, que ele provavelmente era um professor ou alguém que investigava o hospital. Isso chega até a ser engraçado, pois eles que não tem formação acadêmica alguma conseguem identifica-lo, mas os profissionais não conseguiram. Ao meu ver, talvez isso tenha acontecido por medo de a pessoa ter algum problema, mas como não possui muitas alucinações além da voz dizendo tum, preferem prevenir a arriscar a pessoa ter um surto. Pra mim, não cabe apenas apontar o dedo aos psiquiatras naquela época, até porque as doenças mentais, até hoje, são muito difíceis de serem diagnosticadas com certeza, deve-se analisar mais a fundo, não sei de que forma, mas é o mais certo. Mas a verdade que temos é que as doenças mentais são reais, e são perigosas muitas vezes, por essa dificuldade de diagnostico, então pode ter sido um erro interná-los, mas naquele momento, os psiquiatras podem ter ficado com medo de perder uma vida ou que a pessoa perdesse sua sanidade e tentaram ajudar.
Concordo com o que foi dito no estudo, que o diagnóstico não fora realizado na pessoa, mas no contexto do seu diagnóstico, que os rótulos determinam como vemos as coisas e pessoas, isso talvez aconteça pela nossa natureza humana, onde criamos pre-conceitos das coisas e tudo o que vemos acaba por nos confirmar aquela primeira impressão. Mas é necessário investigar o fato descrito no estudo mais a fundo e de perto para se ter uma conclusão concreta do porque os psiquiatras os internaram e mantiveram lá por tanto tempo, mesmo sem demonstrarem mais alucinações.
A autora do texto refez o teste de Rosenhan, e mesmo sem possuir outros sintomas além daquela palavra tum, recebeu receitas de anti-depressivos e psicóticos. Novamente pra mim, isso apenas confirma o receio dos psiquiatras em liberar uma pessoa que não possui muitas características de doença mental, mas que possa ter a possibilidade de apresentar algum problema mental.
Isso é algo muito difícil e complicado para se julgar e dizer que os psiquiatras erraram feio ou algo do tipo, os problemas mentais são de difícil diagnostico. Os médicos são formados para curar e salvar a vida das pessoas, aquela atitude talvez precipitada de internação e receita de medicamentos seja uma forma de evitar perder vidas e não dar brecha aos males que podem atingir as pessoas. É obvio que foi um erro internar pessoas normais por tanto tempo, mas elas alegaram algo que intrigou os psiquiatras, que, novamente, pelo medo de perder um paciente, optaram por tratá-los sem conhecimento pleno do seu problema, mas tudo com a intenção de cuidar deles. A falta de caridade com os doentes na internação, o descaso e as agressões sim são problemas gravíssimos que devem ser combatidos de todo jeito, mas isso, creio eu, não está ligado a profissão alguma, mas sim a falta de caráter e compaixão das pessoas, isso deve ser trabalhado desde berço e por toda a sociedade pois é totalmente inadmissível, acima de tudo deve ser punido e corrigido pois, independente de quem somos e o que temos merecemos respeito acima de tudo.

REFERÊNCIA:
Slater, L.(2004) Mente e Cérebro. Rio de Janeiro: Ediouro

sábado, 11 de abril de 2015

Uma outra visão sobre a Hipnose.

Hoje eu vou falar sobre a hipnose, usando dois textos que abordam esse tema. A verdade é que os textos mudaram bastante minha visão da hipnose, pois a visão de hipnose que eu tinha era aquela mistica, mágica, onde as pessoas imitavam animais e faziam coisas bizarras e engraçadas, e depois não tinham nem a capacidade de lembrar o que tinham feito, ao ouvir falar em hipnose eu pensava num show, espetáculo, algo assim. E na verdade, a hipnose não tem nada a ver com isso, um dos textos já começou quebrando meus paradigmas, dizendo que tudo o que a pessoa que esta sendo hipnotizada fez na hipnose ela faria consciente, e disse ainda que ela se lembraria de tudo depois do fim da hipnose, coisas que eu, no meu "conhecimento" jamais acreditaria.
A aplicação da hipnose e seu sucesso depende de vários motivos, desde quem conduz a hipnose, até as característica da pessoa que está sendo hipnotizada, assim, seria necessário estudar mais a mesma para se ter um conhecimento de como ela funciona a fundo e poder usa-la para melhorar o dia a dia das pessoas, porque pra mim esse é o intuito das pesquisas, é melhorar o cotidiano das pessoas, porque se não ajudar nessa melhora não tem sentido pra mim.
Eu entendi a importância da hipnose quando num dos textos foi mostrada a capacidade dela de controlar o cérebro, e esse controle do cérebro faz com que a pessoa "ative" ou "desative" áreas do cérebro, onde foi descoberto que podem chegar até a substituir as anestesias clínicas, pois através desse controle, consegue-se atingir as partes do corpo onde elas podem ser anestesiadas. Isso é algo muito surpreendente pra mim, pois eu conheço pessoas que têm alergias a anestesia, não tem conhecimento desse poder da hipnose, ou seja, nunca tentaram passar por esse processo para ver se funcionaria com elas e acabam passando por procedimentos cirúrgicos sentindo a dor da cirurgia. Outro exemplo é o da pessoa que utiliza a hipnose para entender problemas que ela tem, buscando entender o que causou o mesmo, e as sessões podem "voltar no passado", coisas do subconsciente da pessoa, que ela não se recorda conscientemente, mas que afetam o modo de agir dela. A partir do momento em que a pessoa entende o momento chave da vida dela que faz com que ela haja de forma X, ela tem a possibilidade de trabalhar nisso.
Em um dos textos, temos o caso da Suzanna, uma mulher que estava passando por uma crise, por vários motivos como traição do marido, afastamento do emprego por dores físicas, entre outros motivos, que fizeram a mesma chegar na conclusão de que ela não merecia ser amada. Esse pensamento, ligado as dores físicas, como a fibromialgia que a afastou do trabalho e agravou sua crise, a tornou a pessoa sem esperanças que ela se mostrava. Ela havia frequentado diversos médicos para tentar sair dessa tristeza e também curar/amenizar as dores físicas, e ela relatou, ao aceitar usar a hipnose e ser assistida durante esse processo, que nada melhorava nenhuma de suas dores, físicas ou internas. Isso segundo ela, acontecia também porque ela não era ouvida, os profissionais apenas queriam lhe medicar e não ouvir sua história do porque ela chegou até ali.
Ao ouvir da pesquisa dos poderes da hipnose, ela aceitou passar por isso e se ofereceu ao pesquisador para tentar melhorar sua saúde, pois ela já não tinha esperanças de melhora, e estava ali dando uma oportunidade de tentar novamente. Nesse processo, acontece que, através da hipnose e das sessões onde ela era ouvida pela pessoa que conduzia a sessão, e onde essa pessoa que conduzia, a mostrava também que a vida dela tinha coisas a se orgulhar, fazendo ela ver que a mesma só estava focando no negativo da vida dela, ela disse que, após as sessões, as suas dores diminuíram 90%, e foi visto que, após alguns dias de sessões, ela mostrou uma mudança de atitude, onde agora ela se mostrava muito mais positiva, reparando nas coisas boas que existem na vida dela, assim, ressaltando o poder da hipnose bem feita. E a Suzanna também percebeu o poder da hipnose, tanto que, quando ela perdeu um parente e viu que suas dores estavam voltando, ela mesma começou a tentar praticar a hipnose pra afastar qualquer possibilidade de suas dores voltarem naquela intensidade. Isso me fez perceber o poder da hipnose, porque pra uma pessoa que estava descrente em superar ou diminuir as dores tanto físicas quanto emocionais, conseguir esse sucesso através da hipnose é algo a se admirar muito.
Eu já conhecia a hipnose, só não tinha o conhecimento de que isso era hipnose, por ter preconceitos sobre o tema, como exemplo na série de Criminal Minds (ou Mentes Criminosas, como algumas pessoas conhecem) eles utilizam muitas vezes sessões de hipnose, o que pra mim jamais seria hipnose, para ajudarem vítimas de crimes que tiveram suas memórias de crimes ou eventos importantes corrompidas, ou entender aquilo que possa ser a causa de algumas dificuldades que a pessoa tem na vida adulta. Anexei aqui um vídeo do doutor Spencer Reid, um dos agentes do programa, onde ele quer recuperar memórias da infância que o perturbam, pois houve a morte de uma pessoa e ele quer saber o que aconteceu, pois pelo trauma no momento ele não conseguia se lembrar. Este vídeo nos mostra um pouco como é uma sessão de hipnose, a verdadeira hipnose. (O vídeo está em inglês e não possui legenda, eu não achei o mesmo legendado nem dublado, mas vale a pena ver por mostrar o que acontece numa sessão, visualmente.) 
https://www.youtube.com/watch?v=e-XGNbo-uYA

REFERÊNCIA:
Fraga, I. (2010) hipnose fora do palco, Ciência Hoje, 276, 20-27


Neubern, M. S. (2009) Hipnose e dor: proposta de metodologia clínica e qualitativa de estudo. PsicoUSF, 14, 201-209. 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

A patologia do tédio e o novo sentido do tato.

Hoje falaremos de dois textos, um deles chamado a patologia do tédio e o outro o novo sentido do tato. Iniciaremos pelo texto que fala sobre a patologia do tédio.

É dito como fato no texto que a maioria dos organismos para de responder a estímulos com uma repetição muito grande, e isso pode ser visto facilmente no nosso dia a dia, onde as pessoas que têm um trabalho monótono perdem a vontade de fazê-lo, se aborrecem com ele. Isso é totalmente normal porque nós evitamos ficar em monotonia. 
O texto nos mostra um estudo onde eles pagaram algumas pessoas para fazer nada num quarto, sozinhos, deitados por alguns dias onde eles tinham seus sentidos de tato, audição e visão comprometidos, mas tinham acesso a comida e banheiro normalmente. Essas pessoas entraram no experimento pensando usar esse tempo para pensar na vida deles, mas eles relataram sentir um bloqueio, uma dificuldade de raciocínio por culpa desse isolamento. Os pesquisadores fizeram três testes onde o resultado da maioria o desempenho dos estudados foi perturbado.
Nos testes, um deles o qual chamou minha atenção foi o que eles ouviram um áudio afirmando a existência de fantasmas, e, por influência do isolamento, depois de ouvi-lo eles demonstraram medo de ver fantasmas no quarto, não é dito se eles acreditavam ou não em fantasmas, mas a meu ver, o isolamento alterou tanto a percepção de realidade que até aqueles que não acreditavam em fantasmas ficaram com medo por manterem aquele áudio na cabeça e começarem a imaginar coisas. Outra parte do relato das pessoas que ficaram isoladas que me chamou a atenção foi eles afirmarem que, depois de um tempo confinados, eles começaram a ver imagens e alucinações tanto visuais quanto auditivas, e que chegavam até a interagir com eles. Eu nunca imaginaria que o tédio era capaz de fazer com que seu corpo fizesse você ver/ouvir coisas pra suprir aquela necessidade de sair da monotonia que ele não suporta mais, é algo surpreendente pra mim, porque eu já associei alucinações com diversas coisas, mas com o tédio nunca tinha imaginado. 
Passando para o segundo texto, eu o considerei mais interessante do que o primeiro, ele chamou muito mais minha atenção do que o do tédio, pois eu acho que o que foi descoberto nele seria mais enriquecedor para a sociedade e mais aplicado ao cotidiano do que o primeiro, na minha opinião. Esse texto fala do novo sentido do tato. Primeiramente, ele me abriu os olhos para a importância do tato na nossa vida, onde muitas vezes nos não prestamos atenção ao tanto que ele é importante, e o tanto que ele pode ser eficiente na ajuda a pessoas que possuem outros sentidos comprometidos. 
O texto nos mostra o estudo da NASA que desenvolveu um macacão táctil, que explora as reações do tato para salvar a vida de pilotos militares, evitando que os mesmos não percam a localização no espaço, ou seja, que eles saibam se estiverem voando pra cima, ou se aproximando do chão etc, onde ele toca certas partes do corpo para que o piloto se atente ao deslocamento do avião, pois é visto que o tempo de reação do tato é duas vezes mais rápido que a visão, e poderia salvar vidas. A verdade é que, a importância da experiencia pra mim nem foi muito nessa parte de desenvolvê-la para pilotos, mas sim para que ela se desenvolva para ajudar aqueles que possuem limitações em outros sentidos nossos, como por exemplo aqueles que tem problemas de visão. Isso seria um avanço enorme para eles pois, se esse macacão os avisasse de obstáculos, de localização no espaço em que eles estão andando seria um algo a mais pra independência deles, porque por mais que muitos que possuem essa necessidade sejam independentes ao caminhar, isso seria um algo a mais para aqueles que não se sentem seguros a andar por ai sozinhos, até porque, as nossas estradas e caminhos públicos que todos temos que usar são bastante complicadas para quem tem todos os sentidos aguçados, quem dirá para aqueles que possuem limitações. Se o mesmo for desenvolvido para eles, eu acho que seria de uma importância enorme, pois é algo que ajudaria no cotidiano deles consideravelmente ao meu ver.

REFERÊNCIA:
Heron, W. (1977) A patologia do tédio. Psicobiologia: as bases biologicas do comportamentoRio De Janeiro: LTC. 
SchropeM. (2001). O novo sentido do tatoNew Scientist2 de Junho, 30-33. 

sexta-feira, 27 de março de 2015

Suicídio, prevenção de suicídio e o trabalho do Centro de Valorização da Vida.

O texto a ser comentado hoje é uma monografia chamada “Prevenção do Suicídio: Um relato da Capacidade dos Voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV) no Município de Porto Alegre”,  da Patrícia D’Avila Venturela. Eu indico o texto e essa postagem no blog a todos aqueles que estão passando por uma crise pessoal, , para que as pessoas saibam que tem gente interessada em ajudá-los, basta procurar o CVV (Centro de Valorização a Vida), além disso, o texto também é interessante para aqueles que conhecem alguém que esteja passando por isso, pois nos mostra o que é necessário para que possamos ajudar essas pessoas de uma forma que seja possível tirar delas essas emoções destrutivas.
A monografia dela descreve a problemática do suicídio sobre diferentes teorias e como o CVV atua, desde recrutamento de voluntários até começarem a  atuar.
É dito que o suicídio não é algo que possa ser explicado apenas com as motivações pessoais das pessoas que tentam cometê-lo, mas também por aquilo que aconteceu antes do atentado. E eu concordo bastante com isso, pois como é visto no próprio texto, a ideia de suicídio não surge de forma repentina sobre a mente da pessoa, é algo que se formula ao longo do tempo, e se isso acontece, provavelmente tem relação com a vida da mesma, a vida em relações externas a pessoa.
Existe um tabu, um preconceito quanto ao suicídio. Do tipo que ninguém comenta sobre o assunto, e aqueles que já tentaram cometer suicídio, mas falharam, são até descriminados por isso, fato que poderia ajudá-lo a consumar o suicídio futuramente, pois ao meu ver, o que a pessoa menos precisa depois de uma tentativa de suicídio é de pessoas apontando o dedo para ela dizendo o quanto ela é fraca, o quanto ela é egoísta, imatura, entre outras coisas que são ditas a eles, como no exemplo em que nos próprios hospitais eles são rejeitados porque “deve-se dar atenção aqueles que desejam a vida e não a morte”. O certo é dar atenção, carinho para entender o porque daquela atitude e fazer de tudo para que nunca mais tente novamente, fazer com que aquela pessoa volte a desejar a vida e rejeite tirá-la de sí.
A verdade que é dita no texto é que ninguém comenta de suicídio antes do mesmo acontecer, depois que o mesmo acontece é que se busca saber o que se passava com a pessoa, e para aquela pessoa, já nem vale mais a pena entender, não tem como reverter.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou o crescimento dos suicídios nos últimos anos. Isso deve ser preocupação geral, algo deve ser feito para que isso não aconteça, pois como a autora retratou, o suicídio já virou um problema da saúde pública. Para que possamos ajudar, devemos começar reconhecendo que não é função única e exclusiva dos profissionais da saúde mental a prevenção de suicídios, ate porque, como foi dito na monografia, mais da metade das pessoas que cometeram suicídio nem chegaram a se consultar com eles. É necessário que toda a sociedade se preocupe com isso, seja mais atenta se perceber que algo está errado com alguém que se encontra a sua volta. É ai que entra o que vimos no texto passado, aquilo de perceber o sofrimento do outro, se compadecer com ele, buscar entender o que ela passa e assim tentar ajudar essa pessoa, sem julgamentos nem nada, pura e simplesmente pensando no bem estar dela.
A autora nos dá algumas abordagens teóricas que eu achei interessante comentar sobre o suicídio. Segundo a sociologia, baseada em Durkheim, o ato de suicídio é na verdade uma tentativa de comunicação daquela pessoa com alguém a sua volta, a mesma tira a própria vida para se fazer ouvir. Segundo Durkheim, existem três tipos de suicídio, o egoísta (que aquele que a pessoa é individualista, pensa essencialmente nela e não interage com os grupos sociais), o altruísta (que é o que a pessoa não pertence a si, não tem vontades próprias, não se reconhece, e só consegue se expressar na morte) e o anônimo (que é o que não se sente pertencido aos grupos sociais, mas relaciona sua morte as questões externas a ele, como por exemplo mudanças repentinas que acontecem a sua volta). Já segundo a psicanálise, destacando Freud, o suicídio está relacionado a melancolia, onde há a dor de algum objeto que foi retirado da pessoa, como a morte de alguém, perda de algo como um sonho, onde a pessoa se sente vazia por dentro, e há duas alternativas para aqueles que se sentem assim, a autodestruição ou a superação dessa melancolia. Passando para o âmbito humanista, temos a fala de Rogers, que a pessoa que comete suicídio na verdade está indo contra a instinto natural humano, que é aquele que busca direções construtivas, e não destrutivas. Segundo ele, o suicida não se encaixa no ambiente percebido por ele, ambiente esse que cada ser humano tem o seu, e por isso comete o suicídio.
Ainda se referindo a Rogers, ele nos dá as Relações de Ajuda aos suicidas, que são alternativas para entender aquele individuo, visando salvá-lo daquele sentimento destrutivo, e que, ao meu ver, qualquer pessoa teria a capacidade de aprendê-las para ajudar aqueles que estão precisando pois não demandam do facilitador nada muito incabível. Essas relações de ajuda se utilizam de três condições facilitadoras que se baseiam no diálogo. Sendo elas a compreensão empática (que é aquela em que a pessoa que está com a tendência suicida não consegue ser entendido, e através dessa compreensão do facilitador que esta dialogando com ele, ele consegue comunicar seus desejos, mas para isso o facilitador tem que mergulhar no mundo da pessoa, sem esquecer que aquele não é seu mundo), a positiva incondicional (que é a que o facilitador cria condições para o individuo, na qual ele mostra aceitação daquele individuo como ele é, naquilo em que ele anseia aceitação. Lembrando que aceitação  não é aprovação, é apenas aceitar, sem julgamentos.) e por fim a congruência (que é a que o facilitador tem um diálogo franco e honesto com o indivíduo, mas visando sempre o bem estar da pessoa, ou seja, tendo caridade com a mesma).
Agora passaremos a falar do programa que ajuda na prevenção de suicídio, que é um programa do Centro de Valorização a Vida (CVV), na foto temos o contato caso alguém precise.

                     
Esse programa é feito pelo CVV, que é um centro de apoio a vida, onde os mesmos possuem programas para pessoas com diversas questões pessoais que podem chegar a ameaçar a vida deles. Um desses programas é o programa de prevenção ao suicídio.
Tal programa conta com voluntários, voluntários estes que precisam obrigatoriamente passar por um treinamento específico, para que assim eles saibam como agir diante das diversas situações que eles podem passar durante seu trabalho no CVV. Esse treinamento deles é baseado nos ensinamentos de Rogers, os quais já citei acima, se baseando principalmente na relação de ajuda dita por ele, as quais eu concordo que aparentam ser eficazes, e depois de ver um programa tão bem sucedido como o do CVV é como uma confirmação pra mim de que são eficazes sim ao ajudar essas pessoas que estão pensando em tirar a própria vida.
O CVV atende no seu telefone (141 ou 33264111 para o DF) 24 horas todos os dias do ano, pessoalmente no horários ditos no site deles e mediante marcação (mas há casos de urgência em que os voluntários se deslocam independente da hora ou marcação para encontrar alguém que ligou para eles, provavelmente porque a pessoa está numa crise) e pela internet, podendo ser no chat deles ou no skype com eles ( aqui o endereço: http://www.cvv.org.br/site/chat.html).
O trabalho feito pelo CVV deve ser divulgado, pois é através dele que quem necessita muitas vezes consegue se salvar de um possível suicídio, mas, é também através da divulgação que pessoas dispostas a ajudar conhecem o programa e se voluntariam no mesmo, sendo muito importante para dar continuidade e ajudar o programa a crescer. Por isso, se puderem, divulguem que esse programa do CVV existe, para que assim, se alguém precisar, saiba a que recorrer.


REFERÊNCIA :
Venturela, P.D. (2011) Prevenção do Suicídio: Um relato da Capacitação dos Voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV) no Município de Porto Alegre. Monografia. UFRGS.
Contato do CVV:

TELEFONE: 141 

sexta-feira, 20 de março de 2015

Meditação e as emoções destrutivas.

Ola, 
Esse blog foi criado para acompanhar a matéria de Introdução a Psicologia, da Universidade de Brasília. Nele discutiremos temas relacionados a matéria, levando uma visão pessoal para tais temas.
Hoje discutiremos sobre "O Lama no laboratório" que pertence ao livro Como Lidar Com Emoções Destrutivas.
         O texto citado anteriormente conta a história de um monge budista, o qual foi ficticiamente chamado de Lama Öser, que utiliza as técnicas de meditação que ele aprendeu em sua religião para ditar suas reações a tudo que acontece em sua vida, e essa sua prática, e de tantos outros que a utilizam, despertou interesse na pesquisa que fora feita no livro, que busca analisar a meditação como uma educação da mente, assim sendo, como fazer com que a pessoa lide melhor com as emoções destrutivas através dessa educação. Os pesquisadores utilizaram da ressonância magnética, de um aparelho chamado eletroencefalógrafo e outras técnicas da ciência para observarem como  a prática de meditação se manifesta no cérebro e na fisiologia de Öser, e assim eles poderem avaliar tais sinais dentro daquilo que eles são especialistas e tem pleno conhecimento.
         Essa educação da mente que os cientistas tanto buscam entender me parece a solução para tantos mal-estar que rodeiam nossa vida cotidiana, pois tantas pessoas diariamente se deixam perder no que é a correria da vida, e deixam sentimentos como a ansiedade, a raiva, a agitação, o estresse, a tristeza, a frustração tomarem conta do seu ser. O controle de tais sentimentos, como outros que podem se encaixar no que é chamado de emoções destrutivas, são pregados na nossa sociedade como paradigmas, é pregado que os mesmos só conseguem ser controlados a base de remédios controlados, através de terapias intensivas. E no decorrer do texto, Öser nos demonstra que é possível sim controlar certas emoções destrutivas e certos reflexos humanos que podem representar para a ciência uma descoberta importante.
         Através de Öser, descobri que existem vários tipos de meditação, e são executadas e podem ter influências sobre nós de diferentes formas. Temos a meditação de concentração num ponto (quando se fixa o olhar num ponto), a  a meditação através de uma visualização (quando se imagina uma imagem completa),  a meditação através da geração de compaixão (a que é basicamente sentir amor e compaixão pelos seres), a meditação sobre o destemor e a devoção (quando se pensa em uma confiança profunda, destemida),  a meditação “estado aberto” (que é quando ele abre a mente, permanece-se com a mente consciente mas sem atividades mentais propositais).
         Houveram várias baterias de teste, onde os pesquisadores analisaram o que acontecia com Öser quando ele meditava e como ele se portava frente a algumas situações. E a verdade é que, me chamou muito a atenção quando ele passou por três testes. O teste no qual ele teve que ter uma discussão com uma pessoa cabeça dura e uma compreensível, mas que as duas tinham opiniões contrarias a ele, o segundo teste, que ele precisou ver dois vídeos que as pessoas geralmente acham repugnantes.
         No primeiro teste que eu falei, quando ele conversava com o compreensivo, ambos se respeitavam e ouviam as opiniões um do outro, mesmo sendo opostas, mostrando até estarem numa relação de amizade. Quando foi para ele conversar com o cabeça dura, Öser sofreu algumas afrontas do mesmo no início, e reagia as mesma com sorriso, sinais de compreensão e respeito a sua opinião, tanto que chegou ao ponto em que o cabeça dura disse aos pesquisadores que não conseguia mais enfrentá-lo, porque ele era tão simpático e compreensivo com a sua opinião que ele se sentia acuado e não queria mais tentar bater de frente com ele. Isso me chama a atenção porque muitas vezes, quando temos opiniões diferentes dos outros, queremos convencê-los que eles estão errados e nós certos, e muitas vezes fazemos isso usando grosserias, nos estressando quando o outro grita conosco e acabamos revidando as agressões. Vimos com o caso do Öser que o melhor a se fazer é não revidar, porque aquilo que poderia ter se tornado uma briga generalizada pelo fato do cabeça dura o atacar por ter uma opinião diferente, na verdade desarmou a pessoa que estava atacando, pois ela não o viu revidar, na verdade o viu entender seu ponto de vista e aceitá-lo. Se as pessoas fizessem o mesmo que Öser fez com o tal cabeça dura, muitas brigas que são comuns no dia a dia das pessoas teriam fim, como discussões políticas, religiosas, sexuais, entre outras discussões que as vezes chegam ao ponto em que as pessoas tentam matar uns aos outros por não conseguirem aceitar opiniões divergentes. Uma coisa tão simples como a compreensão poderia mudar o destino das pessoas, simplesmente por se tentar controlar sentimentos como a raiva, a aversão e transforma-los em compreensão, em entendimento, em aceitação do diferente.
         O segundo teste é o que ele teve que ver dois vídeos, o primeiro no qual ele vê o que parece ser a amputação de um membro, mas só consegue ver o membro, e o segundo no qual ele vê uma pessoa que teve queimaduras ser descamada para que o tratamento seja feito, onde nesse ele vê o semblante da pessoa. O que acontece é que, normalmente, as pessoas sentem aversão quando expostas a tais vídeos, sente repudio das imagens. O que aconteceu com Öser no primeiro foi o mesmo que as outras pessoas sentiram. O interessante é o que ele sente ao ver o vídeo das queimaduras, pois ele, provavelmente por moldar, lapidar sua compaixão com o próximo através da meditação chamada geração da compaixão, sentiu compaixão, amor por aquela pessoa, e não agonia com a cena, ele se compadeceu pela pessoa. Para mim, isso mostra a percepção que ele tinha com o sentimento alheio, pois como na primeira imagem ele não via a pessoa, não tinha com o que se compadecer, pois ele via apenas um membro sendo amputado, não conseguia reparar o sentimento na expressão pessoal. Já no segundo vídeo, por ele ter acesso a figura humana, ter acesso a expressão corporal e facial do ser, ele sentiu amor por aquela pessoa, pensou no sofrimento dele e sentiu a tristeza daquilo, não agonia com a cena forte. Isso pra mim mostra o quanto ele conseguiu trabalhar a compaixão pelo próximo, fato tão desgastado hoje em dia, pois, na minha opinião, se todos, e eu me incluo nisso, trabalhássemos mais na compaixão, no amor ao próximo, o mundo teria uma cara diferente. Se conseguíssemos reparar no sofrimento de, por exemplo, moradores de rua, de animais maltratados, pessoas solitárias, pessoas com problemas de todos os tipos, pessoas essas que podem estar dentro da nossa família, nós pensaríamos em como cuidar deles, em como tirar aquele sofrimento deles, em como fazer com que se sintam bem, independente de conhecermos ou não, de gostarmos delas ou não. Para mim, a compaixão pode ser compartilhada, quando se realiza um ato de amor por alguém, aquela pessoa pode aprender com tal ato e passa-lo adiante, por isso digo que o mundo seria diferente, poderíamos continuar tendo todos os problemas do dia a dia, mas seria mais fácil supera-los com a ajuda dos outros, com o carinho e compaixão deles.

         Enfim, claro que todos esses benefícios da meditação não são exclusivos da meditação em si. Penso que podem ser desenvolvidas de diversas formas, como exemplos temos as manifestações nas outras religiões mesmo, pois vemos pessoas que nunca nem ouviram falar em meditação, mas que se portam como Öser diante da sociedade, como missionários católicas, espíritas que comandam instituições sociais, entre outros, que na verdade nem professam fé alguma mas que são diariamente provados com essas emoções destrutivas, como o de desânimo quando não possuem apoio, de raiva quando algo dá errado, mas as controlam e as transformam em compaixão, em estimulo buscando um bem comum social. Mas concordo que tais descobertas que surgiram com esses estudos feitos em Lama Öser podem ser benéficas para a sociedade, pois foi visto que existe sim uma forma de se educar a mente para o bem pessoal, que é possível se ter controle dessas emoções destrutivas. Isso pode ser o início para o controle de doenças que surgem do poder da mente, como a depressão, a ansiedade, entre outras. 

REFERÊNCIA:
LAMA, D. e GOLEMAN, D. (2003) COMO LIDAR COM EMOÇÕES DESTRUTIVAS. RIO DE JANEIRO: CAMPUS LTDA. PG. 23 A 45.